João Carlos, antigo defesa central do Corinthians, Cruzeiro e da Seleção Brasileira, superou a fome e a oposição familiar para conquistar títulos de topo no futebol. O jogador, que integrou o plantel campeão mundial do Corinthians em 2000, partilhou agora histórias da sua ascensão difícil e de um momento decisivo no Cruzeiro.

A sua carreira começou no Democrata de Sete Lagoas, onde passou fome sendo um de nove irmãos. O pai via o futebol como «coisa de vadio» e insistia que trabalhasse, forçando João Carlos a parar os treinos. Só em 1994, aos 21 anos, foi contratado pelo Cruzeiro, mas ainda enfrentou empréstimos e a segregação do treinador Paulo Autuori, que o proibiu de usar o balneário principal durante meses.

O «resgate» de Marcelinho

A sua influência dentro do balneário ficou marcada num episódio antes de um jogo da Copa do Brasil contra a Ponte Preta, com Vanderlei Luxemburgo no comando. «Vanderlei falou assim: 'ó, Marcelinho está fora', e nós: 'pronto, perdemos o nosso craque'», recordou João Carlos. O defesa-central confrontou o treinador. «Ele falou assim: 'Marcelinho vai para o jogo, mas se ele fizer merda, for expulso, você que é culpado e você que vai embora'». Marcelinho Carioca acabou por marcar três golos de livre, todos decisivos na vitória.

Carreira internacional e sucesso

A sua qualidade valeu-lhe a convocatória para a Seleção Brasileira em 1999, onde conquistou a Copa América e foi vice-campeão da Copa das Confederações. Disputou 10 jogos pela Amarelinha. A sua situação financeira melhorou com a transferência para o Corinthians a meio de 1999, clube onde foi capitão, jogou 92 partidas, marcou 9 golos e venceu o Brasileirão de 1999, o Mundial de Clubes de 2000 e o Paulista de 2001.

Teve oportunidades no estrangeiro, incluindo uma proposta do Mónaco e o interesse do Milan em 2001, mas optou por permanecer no Brasil antes de uma passagem final pelo Japão. Reformou-se como jogador em 2016 e desistiu de uma carreira de treinador após 11 anos.

Enquanto a Seleção atual, que pode ser consultada no nosso plantel, lidera o grupo do Mundial com 7 pontos após três jogos, João Carlos vê o seu legado como exemplo de resiliência. O próximo desafio da equipa nacional é já no sábado, frente à Índia, num encontro que integra o nosso calendário. A última exibição, uma vitória por 4-2 sobre a Austrália, mostra uma equipa ofensiva com 7 golos marcados nesta fase.

More detail at Globo Esporte