A Seleção Brasileira teve atuação destacada na Copa do Mundo 2026, mas o torneio também registrou episódios de racismo que levaram o governo federal a agir. O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), vinculado ao governo Lula, protocolou denúncias formais na Organização das Nações Unidas (ONU) e na Federação Internacional de Futebol (Fifa) após levantamento identificar 89 mil conteúdos abusivos em plataformas digitais durante a competição. O dado corresponde a 11% do total de publicações analisadas - cerca de 800 mil - que continham discurso de ódio ou discriminação racial. O último jogo da Seleção foi uma derrota por 1-2 para a Noruega em 5 de julho de 2026, resultado que encerrou sequência de três vitórias consecutivas.
O que aconteceu durante a Copa 2026?
O CNDH baseou as denúncias em análise de mais de seis milhões de publicações nas redes sociais. Entre os casos citados estão ofensas racistas direcionadas a atletas em campo, declarações de autoridades públicas e ataques disseminados em plataformas digitais. A presidente do conselho, Ivana Leal, afirmou que os dados mostram a necessidade de atuação mais firme dos Estados para coibir violações de direitos humanos. "Os números reforçam a urgência de medidas efetivas de prevenção e responsabilização", declarou.
O relator do CNDH, Carlos Nicodemos, destacou que os episódios extrapolam o ambiente esportivo. "O futebol reflete dinâmicas sociais e os casos evidenciam a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção", afirmou. As denúncias foram enviadas ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, à Relatoria Especial sobre Racismo e ao canal oficial de denúncias da Fifa.
Por que a Seleção está no centro das denúncias?
Embora o foco das investigações seja o combate ao racismo no torneio, a Seleção Brasileira esteve diretamente envolvida em dois episódios citados pelo CNDH. Jogadores foram alvo de ofensas em partidas disputadas nos Estados Unidos e no México, países-sede do Mundial 2026. O conselho argumenta que os Estados têm obrigações previstas em tratados internacionais para prevenir e punir tais manifestações.
A Fifa também foi questionada sobre sua atuação durante a competição. O CNDH solicitou que a entidade avalie se suas medidas foram compatíveis com os Princípios Orientadores da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos. A entidade ainda não se manifestou publicamente sobre o teor das denúncias protocoladas.
O que o governo brasileiro pede às entidades internacionais?
O documento enviado à ONU e à Fifa pede reforço em três frentes: prevenção de novos casos, investigação dos episódios já registrados e reparação às vítimas. O CNDH também cobra que os países-sede - Estados Unidos, Canadá e México - adotem políticas mais rígidas para coibir discursos de ódio em seus territórios. A iniciativa busca alinhar o esporte às normas internacionais de direitos humanos.
A Seleção segue com três vitórias, um empate e uma derrota nos últimos cinco jogos, sequência que inclui a derrota para a Noruega. O próximo compromisso da equipe é contra a Austrália, em partida fora de casa marcada para 25 de setembro de 2026.
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